Diários (Ir)Radiados – Erzebeth Balthus
Ela disse o meu nome. Ela gritou para quem quisesse ouvir. Eu estava acossada em um canto do quarto, com uma pistola nas mãos, tremendo. Atiraria sem pensar no primeiro que entrasse. Ninguém vai me levar de volta ao Vault 92. Não vou ser morta como meus pais. Onde está Thorne? Ele já tinha conseguido a porcaria da Memento e tinha voltado ao normal. Custou um balde de tampas, o tal Escobar espremeu ele direitinho, mas era melhor do que ficar sem nada, com as crises e alucinações. A gente veio para esse assentamento de mercadores sob a montanha com o tal Hernandez. Sob a montanha! A gente se sentiu seguro só para perceber que estava em uma bela duma enrascada. A única saída tinha meia dúzia de mercenários no caminho. Eu estava tão abalada que até o Thorne conseguiu perceber isso. Ele atirou a mochila na minha direção e então eu percebi o que estava para acontecer. Os minutos seguintes meio que se apagaram da minha memória. Eu me lembro de ter muita, muita raiva daquelas pessoas. Eu nem sei quem elas são, mas não faz diferença. Gente assim matou meu pai e minha mãe. Eu atirei e atirei. Acho que matei três pessoas. Thorne até pareceu meio impressionado com a minha pontaria. Droga, eu não deveria estar contente nem orgulhosa. Eu matei pessoas hoje. Eu matei pessoas que sabiam onde me encontrar.
Meu nome é Erzebeth Balthus, e agora eu sinto como se todo mundo soubesse disso. Eu vou continuar escrevendo esse diário enquanto puder.
Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos
Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios
Capítulo 21 – Além das Máscaras e Além dos Espinhos
Terça-feira, 09/02/2010
Cena 01 – Iminência de Algo
Compartilham dos olhos fundos resultantes da noite sem descanso. Rivers, que acabara de chegar, está especialmente agitado. Compensa o cansaço com as suspeitas que a madrugada invocou.
Rivers – Olha, é mais ou menos como um casamento.
Kroll – Quê?
Rivers – O noivo entra. Ele tem seu modo de vestir. A noiva se faz esperar. Então, chega com o vestido branco. Toca a música. A cerimônia é levada adiante por uma autoridade reconhecida. Não percebem? É um ritual!
Cutler – Etapas necessárias para que um objetivo se cumpra.
Rivers – Exato. Nós encontramos no As Extremidades situações diferentes. Do mesmo modo que o Parque Fairmount não foi o que normalmente é quando estivemos lá. Algo tornou isso possível. Só consigo pensar que foi uma espécie de ritual.
Kroll – Quando estivemos lá pela primeira vez havia uma poesia no chão. E a linha na máquina de costura do segundo andar tinha sangue. E havia as máscaras.
Cutler – Isso abre a porta, mas não garante que vamos atrair a presa certa.
Rivers – Qual o osso que precisamos?
Kroll – Sangue e secreções. Foi o que ela disse. Merda, eles faziam orgias e sei lá mais o quê lá dentro.
Cutler – O Porykov tinha alguma rixa com o Tailor, mas antes foram associados ou coisa assim. Quem sabe ele possa apontar pessoas dispostas a fornecer o que precisamos.
Kroll – O cara é a porra de um mafioso russo. Quer mesmo envolver ele nisso?
Cutler – Ele sabe o que nós fizemos.
Kroll – Ele suspeita.
Cutler – Não. Ele sabe. E foi por isso que apertou minha mão. Porque ele sabe o que nós fizemos.
Rivers – O que vocês estão sugerindo?
Cutler – Que nós vamos ter que armar uma cena para atrair aquela coisa sem que tudo se transforme em um banho de sangue.
As alternativas que se avizinham deixam Rivers desconfortável. Não importa o que farão, terão de fazer logo. Seu contato no meio político sugeriu que, após os crimes que ocorreram nas imediações do As Extremidades, a prefeitura, motivada pelas ações do conselheiro municipal Bill Green, estuda um projeto de beneficiamento do bairro. Isso implicaria no fim do acesso fácil ao local.
Ao longo daquela tarde Kroll acompanha Rivers aos arquivos históricos da Filadélfia. A visita é infrutífera devido à incapacidade de ambos no estabelecimento de parâmetros claros para a pesquisa. Pelo que procuram, exatamente?
Cutler tem tanta sorte quanto. Porykov não o recebe. “Quem sabe outro dia, após um aviso com maior antecedência”.
Capítulo 18 – Caminho de Migalhas
Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios
Capítulo 18 – Caminho de Migalhas
Sexta-feira, 05/02/2010
Cena 01 – Sala de Espera
Depois de despedir-se de Kroll e trocar algumas palavras com Rose Fairweather, só resta a Cutler esperar por notícias. Demora quase uma hora até que um médico informe da transferência de Tom para um quarto. Pretende mantê-lo sob observação após os resultados inconclusivos dos exames. Nada mais se pode fazer imediatamente. Cutler não deixa de perceber que Fairweather toma as rédeas da discussão, sutilmente fazendo valer sua condição de responsável legal pelo garoto.
Compreensível, a postura incomoda Cutler, pouco afeito a receber ordens. A agudeza do comentário é mais irritante aos ouvidos de Fairweather do que os sons dos aparelhos de monitoramento que embalam o sono sereno de Tom.
Cutler – Vou permanecer aqui esta noite. Pare ter certeza de que tudo ficará bem. É melhor que isso seja feito por alguém que não cochile…
A referência maldosa à forma como os problemas recentes tiveram início ofende Fairweather. A resposta é contida por gritos excruciantes vindos de um quarto próximo. Médicos, enfermeiras e alguns pacientes acumulam-se no corredor. Mesmo em uma ala junto da Emergência aquilo é incomum e assustador. Cutler ignora o fato até que entre os urros podem-se discernir palavras.
- Krooooooollllll…..É Krooooooollllll…
Capítulo 12 – Irmãos nas Trevas
Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios
Capítulo 12 – Irmãos nas Trevas
- Segunda-feira, 01/02/2010
Contas! Acumuladas ao longo de uma semana na caixa de correspondência, parecem ainda piores quando espalhadas sobre a mesa da sala. Como cuidar delas sem um emprego? A preocupação torna-se secundária após John Kroll deparar-se com a carta enviada pelo Sr. Claude. A máscara está pronta. O carro fica na garagem hoje. Prefere tomar um trolley. Não tem idéia de como pagará os US$ 8 mil pela peça.
—-
Cutler – E você vai até lá sozinho?
Kroll – Sim. O que tem isso? É só um velho cego e uma criança.
Cutler – Um velho cego que pode estar metido naquelas perversões no As Extremidades e uma criança que achou minha loja sem ter nenhuma informação a respeito.
Kroll – É verdade… Mas acho que não vai acontecer nada. Vamos ver.
Cutler - Que barulho é esse?
Kroll – É do trânsito. Estou indo até a loja em um trolley.
Cutler - Porra! Desempregado há menos de uma semana e já vivendo como um pobre.
Kroll – Vai se foder!
Cutler - Está ouvindo esse barulho?
Kroll – Sim, o que é?
Cutler - O V8 do meu carro novo.
Kroll – Vai se foder!
Capítulo 11 – O olhar atento revela
Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios
Capítulo 11 – O olhar atento revela
Quarta-feira, 27 de janeiro
Cena 01 – Dentro de Casa
A perna ferida de Cutler lateja quando ele se ergue. Está em uma sala de estar que não tem tempo de olhar com atenção. Procura algo para bloquear a porta. Kroll, também ele tombou quando as dobradiças cederam, levanta-se e reposiciona a folha de madeira. Seus perseguidores não podem ser divisados no pátio escuro. A casa encontra-se mergulhada em absoluto silêncio. Uma poltrona é improvisada como bloqueio à entrada.
Na cozinha, uma chaleira de água quente sibila. Procuram por utensílios que lhes sirvam de arma. Foi dessa casa que Cutler ouviu Gladys falando com as meninas. É provável que ainda estejam em algum dos cômodos.
Na sala de jantar – parece pouco utilizada – nada encontram. Quando preparam-se para sair são alertados pelo tilintar da cristaleira. Nada mais balança que não o delicado conteúdo. Kroll aproxima-se com cuidado. A janela ao lado está fechada. Não há nada no chão que possa ter se chocado contra o móvel. O piso tem apenas as marcas resultantes do arrastar necessário à limpeza. Tudo é tão ordenado quanto em um catálogo de decoração. Ainda que seus olhos mostrem o contrário, Cutler sabe que não estão sozinhos naquele cômodo.
Além da sala de estar deparam-se com um banheiro, um quarto de visitas e o quarto de Gladys. Nada de extraordinário nas peças. A última porta testada está trancada. É possível que a mulher esteja escondida ali. Seu objetivo, porém, é encontrar Clinton Weiss.
Capítulo 07 – O Topo do Abismo
Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios
Capítulo 07 – O Topo do Abismo
Domingo, 24 de janeiro
Cena 01 – Preparativos
A falta de informações conclusivas irrita Cutler. Mesmo o seu espírito de historiador estremece diante da quantidade de lacunas. O desconforto é ampliado pelas palavras de Kroll, que não mede esforços na tentativa de garantir alguma companhia logo mais, no As Extremidades.
Kroll – Eu não sei quanto a vocês, mas eu vou ter que ir até lá. Eu me sinto ameaçado e acho que isso vale também para quem assistiu aos vídeos.
Atrás de uma pilha de livros, o antiquário busca informações a respeito dos símbolos que discretamente decoram a residência de Jebediah Stone. Imagina que possam ser úteis, ainda que não saiba ao certo de que forma. Kroll o observa e pensa o quão supersticioso ele próprio se tornou, ansioso por qualquer vislumbre de luz na estrada escura em que se meteram. Kallinger, que já foi o mais empedernido dos céticos, sequer se envergonha por não impedir que Cutler mergulhe na pesquisa a respeito de ocultismo e bruxaria.
…e a morte tudo revela.
A ficha de Krista Crown!
Com a morte do NPC, nada mais natural que revelar seus segredos. E nada mais secreto em uma mesa de RPG do que as estatísticas dos personagens do narrador.
Pois bem, cá estão, em inglês.
A ficha foi editada com o Foxit PDF Editor a partir de uma construção de Mr. Gone.
As estatísticas originais da personagem podem ser encontradas no livro Mysterious Places, da White Wolf, publicado no Brasil pela Devir com o título Lugares Misteriosos.
Foi também desse livro que saiu o plot para a primeira história da crônica Os Espaços Vazios.
Crônicas Hiborianas – Décima Edição – O Segredo do Pântano
Décima Edição – O Segredo do Pântano
Cena 01 – Odor de Morte
O céu sobre a Numália está negro. É o segundo dia assim. Ainda que o Devorador de Almas tenha se entranhado sob o solo, seu exército permaneceu, não deixando esquecer o horror de que a cidade foi vítima. Em pilhas à espera do fogo os cadáveres despertados para lutar jazem inertes. Conan acende uma pira. A décima naquele dia. Parece que até o vento que costuma soprar nessas planícies se recusa a afastar as colunas de fumaça escura e o fétido odor dos putrefatos.
A caminho da guarnição dos Aventureiros da Nemédia o cimério avalia os estragos causados pela batalha. Portões, muros e casas podem ser reerguidos. Mas o medo jamais deixará o coração desses homens. Alguns encontraram no campo de batalha pessoas que enterraram, avançando com órbitas vazias e sede de sangue contra seu antigo lar.
Crônicas Hiborianas – Quinta Edição: Mar de Sangue
Crônicas Hiborianas – GURPS e M&M. Dois Sistemas, Dois Jogadores, Dois Mestres.
Quinta Edição: Mar de Sangue
Cena 01 – Treinamento Desnecessário
Ainda preso em sua cela, o Cimério só tem um pouco de liberdade durante o dia, junto aos outros prisioneiros. Conan recebe um treinamento de técnicas de batalha. Analisa rapidamente seus companheiros de batalhão e os julga incapazes, gerando desconforto entre eles e para com o comandante Ornish. Este, um senhor de 50 anos marcado pelas batalhas, possui ombros pesados e longos cabelos brancos, além do sotaque do norte. Concorda com Conan, mas recebe ordens e as cumpre, assim como sugere que o bárbaro o faça.
Hunter: The Vigil – Fechando o Cerco
Hunter: The Vigil – Um Sombrio Dito Notável
Capítulo 09 – Fechando o Cerco
Don’t look to the eyes of a stranger
Don’t look trough the eyes of a fool
Don’t look to the eyes of a stranger
Somebody’s watching when the light goes down
Iron Maiden – Virtual XI – Don’t Look to The Eyes of a Stranger
2009, 21 de Março
Cena 01 – Últimas Palavras
Depois do pior dia de folga de todos os tempos, Lucy O’Hara finalmente chega em casa. O silêncio acaba ao toque do telefone:
- Oficial O’Hara? Aqui é o tenente Kauffmann. Eu sei que é a sua folga, mas gostaria que você viesse até o Saint Joseph. É sobre Ivan Mendez, o homem que você salvou.
No familiar saguão do hospital, O’Hara é informada de que o estado de saúde de Mendez é preocupante. Ao que parece, o homem gostaria de agradecer-lhe.
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