Fahrenheit 451
Fahrenheit 451 foi escrito por Ray Bradbury e publicado originalmente em 1953. A obra trata da disposição da sociedade para eliminar os livros e seus efeitos sobre os cidadãos. Trata-se de uma distopia. A obra é complexa demais para o breve comentário que pretendo fazer aqui. Interessa, no momento, uma passagem a respeito da decadência social no ambiente fictício proposto pelo autor.
Em uma das passagens, o Capitão Beatty explica a Montag, o protagonista, que o lento e inexorável rebaixamento da literatura se deu para que as letras deixassem de ofender as pessoas. Uma obra era proibida para não atacar os homossexuais. Outra, por defender o ponto de vista dos heterossexuais. Uma terceira, porque ofendia determinada religião ou credo. E assim por diante, até sua total supressão.
Por que disso tudo? Porque hoje li isso, e me chamou atenção como previsões feitas há mais de cinqüenta anos podem concretizar-se se não dermos atenção aos indícios de seu avanço.
London em Londres V – Conclusão e Bibliografia
Não se tem notícia, além das críticas positivas recebidas por Jack London após a publicação de O Povo do Abismo, sobre a maneira como a obra, isoladamente, afetou seus leitores. Certamente afetou o autor, pois deu início a uma escalada que culminaria em títulos como O Tacão de Ferro e Martin Éden, todos impregnados de forte crítica social, amparadas na sua crença a respeito do aprimoramento da sociedade através da aplicação dos preceitos marxistas do Socialismo.
Jack London foi um combatente que saiu da miséria para transformar-se no escritor mais lido e bem pago de sua época. Ainda que, segundo críticos, tenha sido o primeiro exemplar de autor norte-americano a verdadeiramente conhecer os caminhos para a criação de um mito em torno de sua pessoa, é certo que viveu diversas vidas no período de uma única e breve existência. Teve tempo, inclusive, para deixar de ser um socialista, seis meses antes de sua morte. Alegou que o Partido havia perdido sua capacidade de ênfase na importância da manutenção da luta de classes.
London em Londres IV – O Desafio à Espiral do Silêncio
Nascida na Alemanha em 1916, Elisabeth Noelle-Neumann especializou-se em demoscopia, isto é, na pesquisa da opinião pública sob organização científica. A partir dos anos 50, ela começou a se interessar pela relação entre imprensa e opinião pública.
Uma de suas primeiras pesquisas apontava que a auto-estima dos alemães diminuía à medida que a mídia fazia mais referências negativas ao povo. A pesquisadora começou a basear seus estudos em uma outra hipótese já existente, a da Agenda Setting, segundo a qual “a imprensa teria o poder de determinar os assuntos principais da população, através da divulgação repetitiva de artigos e notícias sobre certos temas” (HOHLFELDT, p. 191).
London em Londres I – Introdução
No ano de 1902, o escritor Jack London se dirigiu até o coração da miséria londrina para descobrir como viviam, se é que o faziam, as criaturas mais pobres do país mais rico do mundo. Entre sua chegada aos bairros que formavam o East End e o fim de suas pesquisas, três meses se passaram. Nesse período, o autor reuniu material para o livro que viria a batizar de O Povo do Abismo.
O resultado do trabalho de Jack London é uma longa reportagem. Para sua concepção, o escritor não apenas entrevistou, fotografou e comparou dados. Ele viveu com os habitantes do East End. Não encarnou um acadêmico com olhar superior de analista, mas retomou o papel de marinheiro norte-americano passando por tempos difíceis em uma terra de reis e rainhas. Não precisou compor um personagem, apenas trouxe à tona as memórias de sua juventude. Dessa aproximação resultou o material necessário para um livro que tem o autor e todos os miseráveis de Londres como personagens.
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