The Truth's For Sale

Changeling: The Lost – Sonhos de Criança

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 22/05/2012

Oitavo Capítulo da Alienação.

É uma procissão curiosa aquela. Através dos caminhos cada vez mais estranhos do Banhado, avança uma dúzia de ex-pessoas mais dois que nunca o foram. O raptor sem nome tem no colo o bebê Espantalho. O nina como qualquer pai faria a qualquer filho. Ao procurar pontos de referência naquele caminho em permanente mutação, Eleuthério percebe os olhares de desconfiança e admiração de seus silenciosos companheiros de caminhada.

Apenas Ulisses se aproxima. O adolescente tem traços lívidos, olhos vermelhos e movimentos febris.

- Por que tu foi embora? Aqui a gente tem tudo!
- Tinha uma coisa que esse lugar não podia me dar.
- Eu odiava as coisas como eram antes. Agora eu sou feliz. Eu nunca vou voltar.
- Tudo bem. Mas tu tem que ter certeza de que essa escolha é só tua.
- É claro que… Sai daqui, Amanda! Isso é conversa de adulto.

Eleuthério, quando ainda se chamava Claudio e já tinha planos de fugir, foi apresentado a Ulisses e a toda avidez e agressividade que permanecem ali. Mas há algo mais ainda.

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Diários (Ir)Radiados – Retorno pra casa

Publicado em GURPS, O Jogador, RPG por Carlos Hentges em 20/12/2011

A noite foi tranquila. Mais do que se poderia esperar no Deserto (Daqui para frente, vou escrever Deserto assim. Ele é grande e perigoso o bastante para merecer a letra maior). Fiquei com um olho na Hellen o tempo todo. Ainda não sei como ela vai reagir às coisas. Não gosto de pensar no que ela passou para aceitar tão bem tudo o que aconteceu. Talvez seja mais fácil por ser tão criança. Duvido que tenha mais do que quatro anos. E é tão pequena. De manhã, seguimos em marcha sob o sol, economizando na água e nas palavras. Quando chegamos aos arredores do Forte, Thorne achou melhor dar uma olhada antes de ir em frente. O sol estava no pico, e os mantimentos para uma viagem de moto (aquela que explodiu) estavam acabando. Mesmo assim, não valia o risco das confusões que podem encontrar qualquer um em um assentamento como o Forte. Enquanto observava Thorne se afastando, me ocorreu que eles devem ter escolhido esse nome só para inventar uma reputação. O Forte é feito de placas soldadas, arame e carcaça empilhada para bloquear o caminho. Umas cem pessoas sobrevivem ali do jeito que dá. Deve ter um jeito de melhorar a vida dessa gente. Hellen, protegida do sol sob a capota de um Cadillac aos pedaços, é tudo o que posso fazer agora. Meus planos para salvar o mundo (que idiota, Erza) são afastados pelo escapamento de um velho Interceptor. Fico torcendo para que não me vejam, e depois, para que passem reto. Até parece! São dois, como eu adivinhei. Um mais novo, incentivado pelo mais velho. O pequeno Johnny Boy catando a primeira mulher na beira da estrada. Não vou ser eu. Não vai ser Hellen. Tive sorte do ímpeto não ser tanto. Todos acabaram inteiros. Johnny Boy e o Papi seguem para o Forte, o que meio que inviabilizou seguirmos até lá. Thorne, quando voltou, cuspiu qualquer coisa a respeito de problemas envolvendo um conhecido (Thorne não é muito bom falando, e fica pior quando tenta mentir). Nós seguimos até o que sobrou de um bairro residencial. Não valia a pena explorar os arredores. Melhor descansar e esperar que o tal Sanders não nos tenha seguido desde o Forte. Megaton está algumas horas adiante, mas precisamos esperar o sol baixar para continuar. São os guinchos de dois ratoupeiras na casa ao lado que dão o alerta. Sanders nem vê Thorne se aproximando. Foi desacordado por um disparo de agulha. Sei lá mais o que ele guarda naquela mochila; mais armas é uma boa aposta. Ele o revista e encontra um contrato por sua cabeça. Foi impressão minha, ou ficou decepcionado com o valor da recompensa? De qualquer forma, eu não acho nada de útil com o tal Sanders. Thorne sabe o que tem que fazer, e eu entendo. O cara não vai desistir. Qual é a pior parte disso? Precisar de tão poucas palavras para justificar a degola de uma pessoa desacordada… Chegamos a Megaton à noite, finalmente. Preciso falar com Lucas a respeito do robô. Quem sabe instalar uma nova rotina de boas-vindas. Megaton é um lugar legal demais para ter um Protectron tão impessoal fazendo a segurança do portão. Na manhã seguinte, Hellen e Sarah já eram as melhores amigas do mundo. Tive dificuldade para separá-las. Outro assunto para tratar com Lucas: a menina é pequena, mas é mais uma boca para alimentar, e a trazer até aqui não encerra minhas responsabilidades. Quando encontro Thorne, as ferramentas encontradas no Vault e a noite em claro analisando diagramas ajudam a abrir o Pip-Boy de uma vez. E as coisas que têm nele: o meu vault, e um plano para envenenar a água que resta no Deserto, e nomes de pessoas e nomes de lugares… Thorne me paga e me manda embora. Mas aquilo é maior do que eu e do que ele. Eu tenho que falar com alguém a respeito do que eu vi…

Meu nome é Erza. Bem, não é meu nome de verdade, mas é como meus pais me chamavam, então, acho que conta. Eu vou continuar escrevendo esse diário enquanto puder.

Capítulo 18 – Caminho de Migalhas

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 10/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 18 – Caminho de Migalhas

Sexta-feira, 05/02/2010

Cena 01 – Sala de Espera

Depois de despedir-se de Kroll e trocar algumas palavras com Rose Fairweather, só resta a Cutler esperar por notícias. Demora quase uma hora até que um médico informe da transferência de Tom para um quarto. Pretende mantê-lo sob observação após os resultados inconclusivos dos exames. Nada mais se pode fazer imediatamente. Cutler não deixa de perceber que Fairweather toma as rédeas da discussão, sutilmente fazendo valer sua condição de responsável legal pelo garoto.

Compreensível, a postura incomoda Cutler, pouco afeito a receber ordens. A agudeza do comentário é mais irritante aos ouvidos de Fairweather do que os sons dos aparelhos de monitoramento que embalam o sono sereno de Tom.

Cutler – Vou permanecer aqui esta noite. Pare ter certeza de que tudo ficará bem. É melhor que isso seja feito por alguém que não cochile…

A referência maldosa à forma como os problemas recentes tiveram início ofende Fairweather. A resposta é contida por gritos excruciantes vindos de um quarto próximo. Médicos, enfermeiras e alguns pacientes acumulam-se no corredor. Mesmo em uma ala junto da Emergência aquilo é incomum e assustador. Cutler ignora o fato até que entre os urros podem-se discernir palavras.

- Krooooooollllll…..É Krooooooollllll…

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Capítulo 17 – A Esmo

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 05/06/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 17 – A Esmo

Quinta-feira, 04/02/2010

Cena 01 – Kroll sonha Tom

O ruído ao lado da cama desperta Kroll. É Tom. Deposita o telefone celular sobre uma mesa.

Kroll – Tom? O que você está fazendo aqui?
Tom – Me desculpe, Sr. Kroll. Mas eu tive que pegar o seu telefone. Eu precisava muito dele.
Kroll – Você está bem? Eu o procurei o dia todo.
Tom – Sim, está tudo bem. Mas eu tive que ir embora. Eu ouvi os cães se aproximando… Eu preciso que o senhor faça um favor para mim. Preciso que sonhe com o Sr. Cutler.
Kroll – Não estou entendendo o que você está dizendo, Tom. Estou sonhando?
Tom – Sim, isso é um sonho.

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Capítulo 16 – A Caçada

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 21/05/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 16 – A Caçada

Quinta-feira, 04/02/2010

Cena 01 – O que Rivers tem a dizer

Nada e coisa nenhuma. Após horas diante dos vídeos copiados no Lar da Criança da Filadélfia, nenhuma imagem de Tom deixando seu quarto. Saiu pela janela, mas como? Cutler resolve distrair-se com uma passada rápida no mercado próximo. Retorna com duas sacolas e uma garrafa de Jack Daniel’s.

Kroll chega em seguida. Tratam rapidamente do trabalho no site do antiquário. Bebem um terço da garrafa enquanto discutem hipóteses que ligam Tom e o Sr. Claude ao clube As Extremidades e Tailor. Quando os palpites ameaçam esgotar-se recebem mensagem de Rivers:

- Phineas Claude e o Por Trás da Máscara são nomes relativamente famosos, mas desconhecidos até três anos atrás. Ao que tudo indica, o homem é temperamental e com a tendência a não atender aos pedidos de qualquer um. Sem uma relação de clientes é impossível chegar a um perfil. Porém, ele foi alvo de um processo por parte de um deles. Virgil Walters alegou presença de material tóxico nas peças. Afirmou ter sentido náuseas e tonturas após usar uma das máscaras do Sr. Claude. O caso não foi adiante após uma análise revelar a ausência de produtos que poderiam causar tais efeitos. Isso foi há seis meses.

- O Lar da Criança da Filadélfia é um dos mais respeitados da cidade. Apesar de administrado em conjunto com a Prefeitura, quem comanda o dia-a-dia é uma entidade encabeçada por Rose Fairweather, advogada que ganhou notoriedade em casos envolvendo abusos contra menores. Ela não atua mais, dedicando seu tempo integralmente ao projeto social.

- Não existem informações a respeito do desaparecimento de crianças no Parque Fairmount. Pelo menos não a ponto do fato chamar atenção. Rivers anexa, porém, uma notícia daquele dia ao texto.

A mensagem sugere que o favor em breve será cobrado. Ela encerra com um desejo de boa sorte.

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Capítulo 15 – O Garoto Perdido

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 14/05/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 15 – O Garoto Perdido

Quarta-feira, 03/02/2010

Cena 01 – Chamado do Porão

Cutler e Kroll chegam ao antiquário indecisos quanto ao que fazer em relação a Tom. Discutem a possibilidade de levá-lo ao Lar da Criança da Filadélfia ainda naquela noite. Sem admiti-lo em voz alta, sentem-se desconfortáveis diante do imponderável que cerca o garoto.

Kroll – Bem ou mal, eu preferia levá-lo de uma vez. Foi o que eu prometi ao Claude e quero me livrar disso.

Mas Tom desapareceu.

Kroll chama diversas vezes enquanto percorre o labirinto de prateleiras e balcões que entulham o salão principal do antiquário. Cutler sente um dedo gelado percorrer-lhe a espinha ao ver escancarada a porta que leva ao porão.

Lá embaixo, entre peças descartadas e itens esperando reparo e coisas que devem permanecer longe dos olhos dos clientes, Tom observa uma parede.

Kroll – Tom? O que você está fazendo aqui?
Tom – Olá, Sr. Kroll. Eu achei que tinha alguém. Ouvi alguém chamando.
Cutler – Não há ninguém aqui. Vamos andando. Está na hora de ir embora.

Kroll encara inquisitivo o companheiro, que responde com um dar de ombros. Com as luzes já desligadas Cutler lança um último olhar à parede mais distante do velho porão.

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Capítulo 14 – Something Wicked This Way Comes…

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 07/05/2010

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Capítulo 14 – Something Wicked This Way Comes…

Quarta-feira, 03/02/2010

Cena 01 – Algo para logo mais

Naquela manhã, John Kroll e Lucas Cutler trabalham separados, mas com objetivo comum. O primeiro dá início ao desenvolvimento do ambiente virtual que hospedará o antiquário do segundo, que se dedica à organização dos livros na residência que pertenceu a Jebediah Stone.

Encontram-se por volta do meio-dia para atender ao pedido de Tom. É hora de Kroll cumprir a promessa que fez.

Cena 02 – Início da Jornada

Kroll esteve na Por Trás da Máscara diversas vezes. Ainda assim, não fosse o chamejante cabelo ruivo de Tom, aguardando com uma maleta nas mãos, teria ido adiante sem perceber. Atrás do garoto está um prédio com ares de abandono, onde vidros quebrados permitem vislumbrar cômodos vazios. Nada ali lembra a loja de elegância discreta que o Sr. Claude mantinha até há poucos dias.

Tom – O Sr. Claude partiu.

Tom trata com inocência o que houve. Parece não entender que um homem cego indo embora sem uma valise sequer é incapaz de carregar consigo todo o conteúdo de um prédio, deixando para trás uma estrutura combalida.

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World of Darkness – A Fome

Publicado em Ideias Estranhas, RPG por Carlos Hentges em 15/12/2009

22 dias. Essa era a idade da vítima. Enquanto os pais dormiam, a irmã fitava através das barras do berço. Havia avidez em seus olhos. Os dentes fecharam-se no braço da criança. Ela gritou. Antes que os pais fossem tirados de seu sono alcoolizado, fez-se um silêncio de garganta dilacerada.

A polícia de Saratov, na Rússia, acredita que a morte possa ter sido deliberada, por ciúmes. Os pais crêem que a filha mais velha tenha confundido a irmã com uma boneca.

Para ler mais a respeito, em inglês, acesse o Pravda.

Prelúdio – Encontro no Vazio

Publicado em RPG, World of Darkness por Carlos Hentges em 30/10/2009

Hunter: The Vigil – Os Espaços Vazios

Prelúdio – Encontro no Vazio

Em um cômodo antes vazio, agora estão três homens. Não há móveis, portas ou janelas. Encaram-se em silêncio sob a luz amarela.

Kroll – Alguém sabe onde estamos?
Kallinger – Não sei onde estou e nem quem são vocês.
Cutler – O mesmo para mim… Me chamo Lucas. Lucas Cutler .
Kallinger – Kallinger. Charles.
Kroll – John Kroll.
Cutler - A última coisa que lembro é de estar no meu escritório.
Kroll – Eu estava indo até o carro. Estava saindo do trabalho.
Kallinger – Eu estava no banheiro de um bar. Tinha ido encontrar alguns amigos.

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