Castelo Falkenstein – Um Certo Dar de Cartas
Capítulo Sétimo da história do Brasil, Império.
No qual mensagem que pode mudar o rumo de nossa história é deixada a repousar em berço esplêndido.
Em desabalada carreira pelas ruas que mais rapidamente o distanciam do Quartel-General do Exército em Petrópolis, o Sargento Campos por um triz não deixa de perceber a improvável montaria a pastar junto de uma mal ajambrada estrutura de madeira, erigida às margens da estrada, já nos limites da Capital de Verão de Império.
Garoa, o cavalo crioulo que desde o Rio Grande servia Guilherme Lima, é pajeado pelo Primeiro-Tenente Altamir Boqueirão, cujos trajes civis de imediato denunciam o caráter clandestino da empreitada.
Leva consigo os diários de Carmella: textos que o Sargento Campos surrupiou do Rosa em Flor e que até agora não havíamos encontrado ocasião de mencionar. O conteúdo das missivas, mais as conversas à boca pequena que Boqueirão levou adiante nos últimos dias, foi o suficiente para dar alguma plausibilidade à teoria golpista sustentada por Campos e Lima. O Primeiro-Tenente, contudo, não está disposto a manchar seu juramento de lealdade ao Exército. É capaz, contudo, de vergar as convicções o suficiente para adicionar mais papel embolorado às mãos de Campos: um mapa.
Castelo Falkenstein – Em Companhia do Sargento Campos
Brevíssimo Interlúdio na história do Brasil, Império.
Relato construído a partir de trechos dos diários de Joaquim da Silva de Almeida Campos, militar gaúcho cuja controversa participação nos eventos que levaram à Proclamação da República até os dias de hoje carece de detalhes. O texto conta ainda com relatos de terceiros a respeito deste singular personagem de nossa história.
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Em disparada e com a dama no lombo do cavalo, Joaquim mal consegue olhar para trás e ver o que foi feito do seu parceiro. Percebe, no entanto, que os esforços de Lima não foram em vão, pois não há sinais de perseguição. Aproveita então para interromper o galope e deixar que Carmella se recomponha. A garota, um tanto fora de si…
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…não tem dificuldades em contê-la, e apenas espera que o rompante de ódio converta-se em lágrimas.
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- É complicado. Há uma grande conspiração em curso contra o Imperador, e nós, assim como Deodoro, fomos suas vítimas. Nossa salvação está nas mãos daqueles favoráveis ao Império, os aliados mais confiáveis de Deodoro. Você sabe quem são.
Castelo Falkenstein – A respeito de uma noite tranquila…
Capítulo Sexto da história do Brasil, Império.
No qual os confrontos envolvem a esgrima de palavras, azeitonas e garrafas, cavalos partem em disparada e nossa história parte-se ao meio.
Joaquim Campos e Guilherme Lima cavalgam céleres pelas estradinhas da Petrópolis já envolta na treva da madrugada. Os acompanham Rosa e a pobre Carmella, jovem viúva recente, ainda emudecida, não pela seda que lhe amarrou aos lábios o despachado Hans Zimmer, mas pelo alvoroçada noite cuja forte impressão ainda não foi capaz de dissipar.
Apeados os cavalos, adentram o Rosa em Flor estranhamente silencioso na expectativa de alguma tranquilidade para inquirir, assim que se fizer possível, a moça Carmella quanto as suas relações com Deodoro da Fonseca.
Encontram no saguão, certamente não para se divertir, já que tem as mãos ensanguentadas, o Primeiro-Tenente Altamir Boqueirão. O cenho franzido marca o olhar de desconfiança arguta que sobre Guilherme e Joaquim já havia pousado no Clube dos Oficias de Petrópolis.
- Fiquem onde estão. O lugar está cercado.
O tom imperativo e os modos tranquilos não dão margem para a suposição de um blefe.
Castelo Falkenstein – Sob as Névoas de Petrópolis
Capítulo Quinto da história do Brasil, Império.
No qual fardos são deixados para trás, prostitutas desempenham papéis relevantes e um casamento é impedido quase tarde demais.
Joaquim Campos e Guilherme Lima, ou seja lá quais forem os nomes que tenham adotado por agora, chegam a Petrópolis exaustos e famintos. Vendado, Deodoro da Fonseca foi deixado à madrugada de Cascadura antes que partissem à Capital de Verão do Império.
A névoa pálida os recebe após dois dias sobre os cavalos; esconde a cidade e nada tem de alegre ou convidativa, mas é cobertura providencial aos que seguem em marcha discreta.

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Castelo Falkenstein – O Coronel, o Sargento e o Prisioneiro
Capítulo Quarto da história do Brasil, Império.
No qual os personagens revêem decisões recentes e encaminham as seguintes; e um rosto familiar é avistado na multidão.
Guilherme Lima enverga os trajes do Coronel Deodoro da Fonseca; Joaquim Campos veste os seus próprios; Deodoro da Fonseca, o menos altivo deles, veste quase roupa nenhuma. Debruçado sobre o lombo de Garoa, arrastado como um prisioneiro e tratado como menos do que isso, mal tem forças para ouvir o raciocínio sempre tortuoso do Sargento Campos.
- Deveríamos seguir até Petrópolis, Lima. Bem sei que o Coronel amasiou-se por lá. Toda a soldadesca comenta a respeito de Carmella. Ele nada nos disse ontem nem vai dizer hoje. Mas se tivermos um trunfo, uma boa carta nas mãos, com certeza podemos conseguir alguns nomes.
Lima interessa-se mais pelo futuro imediato do que pelos descaminhos do Império e seus opositores. Acredita ser frágil a farsa que coloca Deodoro da Fonseca na condição de prisioneiro e Campos e ele no papel de seus captores. Pior, não terão como defender-se caso isso ocorra, desprovidos que estão de qualquer arma.
A ideia de chegar-se ao chinaredo, contudo, devolve o sorriso aos seus lábios.
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Castelo Falkenstein – Serpentes no Jardim
Capítulo Terceiro da história do Brasil, Império.
No qual o inimigo do Império hasteia sua bandeira e lealdade torna-se um conceito a ser reconsiderado.
Um Retorno Seguro
Ao Quartel General do Exército, no centro do Rio de Janeiro, chega o Sargento Joaquim Campos, à frente do grupo, o Cabo Danilo Brito, com os olhos permanentemente pregados sobre o paraguaio sem nome que leva como prisioneiro, e Guilherme Lima, ferido pelo disparo de um fuzil.
Ordens são dadas, mensagens despachadas, o ferido acamado e o prisioneiro encarcerado.
Não demoraria até que o aparente desfecho satisfatório dos eventos daquela noite se revelasse meramente o princípio de um alarmante curso de ação.
E um Prenúncio Perturbador
- Aquele seu amigo, o tal Lima, é um tipo que reconhece a importância do dever de logo mais, não é mesmo?
- Sempre pude contar com ele, senhor.
- Ótimo. Não é difícil ver uma promoção logo adiante, Sargento, se o senhor fizer com que tudo corra bem.
O Capitão Figueira se dá por satisfeito, mas não sem antes, contudo, ordenar ao Sargento Campos que se encarregue de transmitir a Lima que o reconhecimento do prisioneiro, tarefa de logo mais, é de suma importância para o desfecho pacífico do terrível atentado praticado contra o Conde D’Eu.
Campos, que a essa altura já esteve na enfermaria e constatou a recuperação acelerada do amigo, pouco receio tem da formalidade. Como poderia Lima enganar-se em relação ao homem que trouxeram consigo? Certo de que em breve ele irá desejar levantar-se da cama e encilhar o cavalo, transmite ordens para que Garoa receba os cuidados adequados e os preparativos convenientes.
De saída dos estábulos, Campos percebe a chegada da suntuosa comitiva argentina. Meia dúzia de cavaleiros escolta a carruagem da qual desce o General Calixto Velez Garcia e apaniguados. Dirigem-se todos à área dos oficiais sob os olhares curiosos dos homens atarefados pelas lidas da guarnição.
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Castelo Falkenstein – A Primeira Camada
Capítulo Segundo da história do Brasil, Império.
No qual os valorosos defensores do Império tornam-se um trio e desvendam a autoria do atentado contra o Conde D’Eu.
Reencontro Fortuito
O Cabo Danilo Brito foi um dos primeiros a perceber a agitação. Encarregado de zelar pela segurança dos convidados que embarcaram para os festejos da noite, ele agora se dirige à Ilha Fiscal em companhia de um sargento e dois soldados, todos alertados pelo estrondo de um fuzil.
Antes mesmo de desembarcar, vê entre a multidão assustada que se aglomera nas margens o rosto familiar do Sargento Joaquim Campos. O momento, contudo, é desfavorável, pois o companheiro de lutas no Rio Grande passa por uma sonora descompostura nas mãos do Coronel Adamastor de Queiroz.
- Absurdo, Sargento Campos. Absurdo e imprudente. Sugerir que uma nação aliada pudesse realizar um atentado contra o genro do Imperador…
À distância, outra das testemunhas do ataque, Guilherme Lima ainda lamenta o fumo molhado quando se percebe objeto dos esbravejos do Coronel Queiroz.
- O senhor pegue o amigo que testemunhou o ataque e um dos soldados e parta imediatamente atrás desse homem. É fundamental que o tragam com vida, sargento. Não pode pairar dúvida a respeito da autoria do atentado.
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Castelo Falkenstein – Inimigos no Palácio
Capítulo Primeiro da história do Brasil, Império.
No qual os intrépidos personagens são apresentados a digníssimas figuras do Brasil Imperial e, obra do acaso, testemunham um evento determinante nesse efervescente cenário.
O que aconteceu antes…

É dia de festa no Rio de Janeiro. Dom Pedro II, pouco afeito às celebrações, abriu os cofres do Império para promover o digníssimo Exército Brasileiro. Encerrados os planos prepotentes do ditador paraguaio Francisco Solano López, é momento de comemorar. O recém-inaugurado Palácio da Ilha Fiscal, na orla da Baía de Guanabara, deve receber não menos do que três mil pessoas entre nobres, embaixadores, delegações de todo o País e do estrangeiro, além de apaniguados e menos cotados. Ao final da longa lista estão dois cavalheiros que nos interessam especialmente, o Sargento Joaquim da Silva de Almeida Campos e seu convidado, o Sr. Guilherme Lima Soares Machado.
São conterrâneos do Rio Grande, conheceram-se na guerra e deram início a uma amizade que perdura e resultou na visita do segundo ao primeiro. Os preparativos para o grande evento são breves e culminam com uma ida de carruagem do Quartel General do Exército até a orla e, depois, em uma lancha a vapor até a Ilha Fiscal.
Curiosos Convidados
É por volta das 20h quando a orquestra que recepciona os convidados começa a tocar. São recebidos pelo anfitrião do baile, Luis Alves de Lima e Silva, Conde de Caxias, Marechal de Campo do Exército Brasileiro e senador vitalício, e sua esposa, Ana Luisa.
Existem inúmeros rostos conhecidos, a maioria de senhores ostentando medalhas nos peitos permanentemente estufados. Destes, o pior é o Coronel José Egídio de Moura Albuquerque, um dos homenageados da noite; a respeito das batalhas soube através de interlocutores e das vitórias pode apenas gabar-se de não ter atrapalhado muito.
O desafeto do Sargento Campos e o tédio de seu convidado, Guilherme Lima, são postos de lado quando certo Simão Bacamarte apresenta-se. Diz-se alienista, um estudioso da mente humana. Visa conquistar a simpatia de nobres locais para instalar um hospital e estabelecer os limites da razão e da loucura para benefício das faculdades mentais. Supõe Bacamarte que a guerra tenha consequências ainda não de todo compreendidas sobre o intelecto e a vontade e, por isso, no futuro, gostaria de trocar palavra com os dois combatentes.
O diálogo apenas não é mais improvável do que aquele que vem a seguir, travado com Wilbur on Rails. Natural da Inglaterra, o anão encontra-se no Brasil desde antes do início do conflito com o Paraguai para auxiliar na expansão da malha ferroviária nacional. Mas não são locomotivas ou trilhos de trem que interessam aos cavalheiros. A perturbadora informação de que não existem mulheres anãs, apenas homens, e que estes se deitam com representantes de outras raças para procriar, desperta no Sr. Guilherme Lima incredulidade e repulsa.
- Mas esses anões estão roubando nossas mulheres, Joaquim. Já vi guerra por menos do que isso.
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Personagens Dramáticos do Brasil, Império
Joaquim da Silva de Almeida Campos lutou a guerra no Rio Grande do Sul. Galgou postos, colocou-se ombro a ombro com homens pelos quais desenvolveu genuína admiração e conquistou o reconhecimento de que sempre julgou ser merecedor. Foi para seu eterno desgosto que viu louros serem colhidos por incompetentes de alto escalão, como o Coronel Albuquerque, seu superior direto, e pelo Marechal Garcia, um dos líderes do exército argentino e, aos olhos de Almeida Campos, um espião repleto de interesses escusos.
No momento, encontra-se no Rio de Janeiro à espera das festividades em homenagem a homens como ele. Sua assombrosa semelhança com o Conde D’Eu, aliada a ausência de traquejo social, costuma criar constrangimentos que Joaquim da Silva de Almeida Campos jamais é capaz de contornar facilmente.
Ótimo:
Coragem♥
Ocultação♣
Percepção♦
Bom:
Briga♣
Compleição Física♣
Pilotagem♣
Tiro♣
Fraco:
Contatos♠
Esgrima♣
Trato Social♠
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