A Vigília – Roteiro 2.2 – Incursão
1 – Ext. – Ermos – Noite
Alice levanta-se e olha ao redor. Busca qualquer indício da presença de Davi. Os faróis do carro estão ligados; projetam um círculo de luz ao redor de Alice. Ela vasculha as imediações. A arma ainda manchada de sangue pende como um peso em sua mão. Ela caminha até a margem da luz, onde então a escuridão se torna inexpugnável. Lança olhares ao redor. Segura a arma com ambas as mãos, desajeitada. Ensaia um passo hesitante e não avança.
Correndo em direção à fonte de luz. Alice se detém por um instante, e então se aproxima do próprio carro. Tem a arma ainda respingada de sangue em uma das mãos. Com a outra, abre o porta-malas e procura por uma lanterna. Ao encontrá-la, a testa rapidamente.
Alice se dirige até o carro de Davi. Abre a porta e senta-se no banco do motorista. Olha a arma em sua mão, suja de sangue. Ela segura o volante. Permanece um instante em silêncio, encarando o prédio iluminado pelos faróis. Ela está suada e abatida. Recobrando-se, percebe que as chaves permanecem na ignição. As toma. Faz o mesmo com o celular deixado sobre o banco do passageiro.
Após desligar os faróis do veículo e trancá-lo, podemos vê-la, à distância, com a única fonte de luz do ambiente nas mãos, rumando na direção do prédio.
A Vigília – Roteiro 2.1 – Recordações
1 – Ext. – Ermos – Noite
Alice levanta-se e olha ao redor. Busca qualquer indício da presença de Davi. Os faróis do carro estão ligados; projetam um círculo de luz ao redor de Alice. Ela vasculha as imediações. A arma ainda manchada de sangue pende como um peso em sua mão. Ela caminha até a margem da luz, onde então a escuridão se torna inexpugnável. Lança olhares ao redor. Segura a arma com ambas as mãos, desajeitada. Ensaia um passo hesitante e não avança.
Em seguida, dirige-se até os dois veículos. Com a toalha branca que foi deixada sobre o capô do carro de Davi, limpa a arma. Em seguida, a envolve na toalha branca. Está transtornada. Abre a porta do carro de Davi e senta-se no banco do motorista. Olha a toalha em seu colo. Coloca as mãos sobre o volante. Permanece um instante em silêncio, com a cabeça pendendo na direção do encosto do banco. Recobrando-se, percebe que as chaves permanecem na ignição. As toma. Faz o mesmo com o celular deixado sobre o banco do passageiro.
Após desligar os faróis do veículo e trancá-lo, entra em seu próprio carro e deixa o local.
2 – Int. – Automóvel – Noite
Alice dirige. Está agitada. Verifica os retrovisores constantemente. Ela toma o celular de Davi na mão. No visor se lê “B-Wolf”.
Em meio à luz intermitente da estrada, podemos vê-la fazendo uma ligação que não se completa.
A Vigília – Roteiro 1 – Suicídio
Prelúdio:
Alice se lembrava de quando ele falou em morte pela primeira vez. Parecia apenas uma brincadeira ruim. Ela o via como alguém que precisava ser cuidado. Conversavam muito, ainda que parecesse às vezes que ele só perguntava, fazendo com que os temas mais profundos nunca o alcançassem. Alice se afastou. Mas não resistiu ao seu chamado, tempos depois. Estava incoerente. Alegava estar acossado por coisas opressivas e incontroláveis. Iria morrer.
Roteiro 1 – Suicídio
1 – Int. – Quarto de Davi – Noite
As mãos suadas de um homem se contorcem. Os dedos se entrelaçam e soltam-se espasmodicamente.
A câmera se afasta para mostrar um quarto. É simples e desorganizado. Parece não ser limpo há semanas. Há roupas espalhadas sobre uma cadeira e ao redor de uma mochila aberta, ao seu lado. Vemos o homem de costas, sentado na ponta de uma cama com lençóis emaranhados. A luz é fraca.
Davi levanta-se. Podemos ver seu aspecto desleixado – barba por fazer e cabelo sujo. Ele se dirige até um balcão. Sobre ele está uma pequena toalha branca. É a única peça dessa cor em todo o ambiente. A toalha envolve parcialmente um revólver com ar antiquado e alguns projéteis. Davi hesita alguns instantes antes de colocar todo o conteúdo em um dos bolsos.
Da mochila ele tira um DVD. Rapidamente escreve “ALICE” sobre o disco e deixa-o local onde antes estava a arma. Dirige-se à porta e sai do quarto.
Paradise Lost – Impressões apressadas / Produções equivocadas
Você leu Paraíso Perdido, de John Milton? A maioria não leu. Aliás, a maioria não lê. Do contrário, projetos como esse seriam imediatamente arremessados, junto com seus idealizadores, no mais profundo abismo do esquecimento.
Sobre a obra em questão existem inúmeras fontes de informação. Depois de fazer isso poderá ler no contexto correto a seguinte frase dos produtores: “A idéia da Legendary Pictures é desenvolver o projeto como um filme de ação, incluindo combates aéreos, e possivelmente filmar em 3-D”.
Lembra quando os sinais do apocalipse estavam nas páginas da Bíblia? Esqueça. Em tempos pós-modernos é a indústria do entretenimento que pavimenta o caminho à destruição.
Os detalhes sujos de tudo isso no Omelete.
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Cinema em 1 Minuto – The Wolfman
O Lobisomem é um bom suspense que se transforma em filme-trash nas noites de lua cheia. A história é mais ou menos a seguinte: Dr. Gonzo chega ao interior para restabelecer-se após um longo período embalado pela mescalina. Seu irmão morreu, a noiva está triste e o pai, o Dr. Lecter, tem péssimos hábitos alimentares. Dr. Gonzo, possivelmente conseqüência das drogas, desenvolve alucinações das quais duvida e vasta cabeleira, a qual não consegue domar. Enquanto isso, o Sr. Smith, conhecido intolerante, chega à cidade para erradicar tudo que não se parece com ele. Como não gostei do filme, não lembro o final. Se não me engano é algo freudiano que envolve a culpa materna. Todo o resto é verdade.
Jonah Hex – Impressões apressadas / Produções equivocadas
Jonah Hex é uma bosta! É, não vai ser, é uma bosta! Mesmo eu, que li apenas uma história do personagem publicada há quinze anos na revista Vertigo, sei disso. Basta um trailer para saber. Porra, metralhadoras gatling montadas sobre um cavalo? Isso não é espirituoso nem criativo, é estúpido e… mais estúpido ainda. Um cientista que bola equipamentos tão destrutivos quando extravagantes? Coisas nada memoráveis como Van Helsing fizeram algo parecido há tão pouco tempo que ainda dá para sentir no ar o cheiro da merda. Eu queria lamentar pelo Josh Brolin, que recentemente fez “Onde os fracos não têm vez” e “Milk”. Mas ele também está escalado para “Homens de Preto III”, então, merece afundar com todo o resto. E que clique no RedTube o primeiro punheteiro que usar a Megan Fox como justificativa para assistir a esse filme.
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The Wire – 1a Temporada
The Wire – 1a Temporada
Ser policial é uma merda! Fiquei com essa impressão ao final da primeira temporada de The Wire. Não que a história seja ruim. Muito pelo contrário. É extremamente bem contada por atores verossímeis e direção segura. Mas trata-se de um olhar que se pretende realista sobre o comércio de drogas na cidade de Baltimore, na costa oeste dos Estados Unidos. E, por conta disso, é duro, desagradável e, muitas vezes, cruel. Nada aqui lembra CSI. Nada lembra Law & Order. A fantasia acaba na vala comum dos interesses dúbios, das lealdades incertas, da moral flexível e das necessidades que o suposto bem maior impõe. Como diz um dos personagens, “Eu vou fazer o possível para ajudar vocês, mas o jogo está lá fora. E você joga ou jogam com você. Simples assim”.
The Wire teve cinco temporadas, produzidas pela HBO entre 2002 e 2008.
Cinema em 1 Minuto – A Hora do Pesadelo
A Hora do Pesadelo – A Nightmare on Elm Street
Nunca me lembro de meus sonhos e também nunca fui fã de Freddy Krueger. Sempre achei mais encantadora a diligência lacônica de Jason Voorhees. Apesar disso, enfiei-me em um cinema para A Hora do Pesadelo. Decepciona a falta de criatividade do filme. Quantas vezes o Sr. Krueger precisa esfregar as garras pelo cenário para dar-lhes o tom certo de ameaça? Meia dúzia, ao que tudo indica. Perdi a conta do número de ocasiões em que o monstro considerou surgir atrás de suas vítimas o máximo do pavor. Empilhando os corpos de adolescentes que merecem morrer, já que se mostram, na maior parte do tempo, incapazes de ajudarem a si próprios, a refilmagem de A Hora do Pesadelo se perde justamente pelo maior crime que pode ser cometido em um cenário onírico: a banalidade.


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