Rage against Something

O horror, pixelado.
A primeira coisa que lembro quando penso em Doom é a SpiderDemon. Ela surge em toda sua glória aracnomecanoide no final do jogo original, armada de um cérebro com feições demoníacas (é claro) e uma metralhadora giratória.
A Metralhadora giratória, aliás, é um ícone difícil de resistir. É a única coisa capaz de despertar um sorriso no cyborg “interpretado” por Schwarzenegger em T2. E, provavelmente, foi responsável por metade dos votos recebidos por Jesse Ventura, eleito governador de Minnesota; em Predador, ele foi o portador da metralhadora giratória, instrumento do rearranjo da vegetação nas matas da América Central.
Pois bem, tudo isso para dizer que, quando em Rage eu finalmente consigo a minha metralhadora giratória, faltam os alvos adequados. Cuspindo cargas de plasma devastador, a arma não encontra, em todo segmento final do jogo, algo para glorificar sua devastadora capacidade de aniquilação da vida. Inimigos genéricos em seguidas ondas é o desafio final que você vai encontrar.
E isso, em se tratando da empresa que criou Doom e é responsável por Rage, é uma péssima decisão. Nem preciso lembrar que, no clássico de 1993, a metralhadora não demora a mostrar a que veio pelas mãos do protagonista.
Semelhante a Doom, além das quatro letras no nome, é o alter ego mudo e a falta de uma história que importe. Ao longo da jornada pela terra devastada de Rage é possível encontrar vários personagens, todos incrivelmente animados e ricos em detalhes. Eles te enchem de missões. Pegue isso, consiga aquilo, destrua aquele outro, preciso disso, disso e disso. Tudo sob o pretexto de que a Autoridade está estrangulando a liberdade e a possibilidade da humanidade (tá, parei) reerguer-se após a devastação do planeta.

Sintoma do enredo nada motivador (nem original) de Rage, eu sequer lembro o motivo de o planeta ter sido transformado em um deserto à Mad Max, esburacado e cheio de mutantes. Nesse sentido, Rage lembra bastante Borderlands, outro jogo de história esquecível e visual marcante, ainda que com uma direção de arte com objetivo completamente distinto (e sem o divertido modo de jogo cooperativo).
Borderlands e Rage, aliás, dividem outra semelhança nada meritória: o problema de texturas. Se no primeiro isso acontecia apenas quando uma nova área do mapa era carregada, no segundo ocorre sempre que você se vira. É mais curioso do que inconveniente, mas demonstra que a indústria de games está se cada vez mais aberta à possibilidade de correção de erros após o lançamento, ou nem isso.
Enfim, ainda que não me tenha dado a arma que eu queria, com os alvos que eu queria, no momento que eu queria, Rage é um bom jogo de tiro em primeira pessoa. Não só porque apresenta um cenário interessante (Power Plant e Dead City são arenas de combate variadas e de beleza singular, basta adicionar sangue), mas porque faz de atirar um grande prazer. As táticas dos adversários, sua movimentação e o jeito que voam, caem e são despedaçados vai te manter com o dedo no gatilho por muito tempo, apesar de todas as ressalvas acima.
Bethesda fucking graphics!
Os gráficos são foda. Muito bonitos, mas com o porém que mencionei. Entretanto, não experimentei nenhum problema de queda significativa da taxa de quadros por segundo, o que é um mérito considerável.
O Skyrim já evoluiu bem em comparação com o New Vegas, só não sei se o cara não vai ficar grudado numa parede de vez em quando…
Acabou de acontecer, mas no Shadow of the Colossus.
E de novo.